Solimar Silva
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Ninguém te conta
 
Algum tempo atrás, tirei uma semana de férias e parti com a família para Arraial do Cabo. Às vezes, a gente visita lugares mais distantes e deixa sempre para depois o que está aqui, do nosso lado. E parecia que eu era a única pessoa do planeta que não conhecia a cidade. Todos os meus conhecidos passavam férias de dezembro e janeiro ou o carnaval.  Entrou para minha lista de lugares desejados.

Não sou muito fã de praia. Sou o tipo de pessoa que em uma hora já está mais do que satisfeita com a areia, água gelada (onde geralmente só molho até os joelhos), o sol, o sal, a lotação. Mas, Arraial tem mais que isso. Tem areias clarinhas e águas verdes e límpidas e um visual de tirar o fôlego com suas encostas verdejantes.
Nessa época do ano, vemos fotos nas redes sociais que nos deixam mortos de inveja. Pessoas sorridentes diante de tanta beleza, curtindo lá a vida enquanto muitos trabalham, até dá inveja. Afinal, essas fotos são mostradas justamente quando estamos sofrendo com o calor, dos nossos meses de forno. 

Por falar nisso, várias pessoas me disseram que eu não podia deixar de conhecer a Praia do Forno quando fosse a Arraial. E realmente foi a primeira que eu quis conhecer (nem olhei a Praia dos Anjos, onde fiquei hospedada, para poder correr para a praia afrodisíaca que tinham me prometido).

Contudo, o que ninguém te conta é que, para acessar a praia do Forno, por exemplo, você tem duas opções. Pagar os olhos da cara para ir e voltar de barco, a não ser que você tenha o seu, claro, o que não é meu caso. Ou, para fazer um passeio mais econômico, você sobe pela encosta, seguindo por uma trilha íngreme, passando por trechos escorregadios – na subida e na descida. Lembre-se, na volta, porque você vai ter que fazer tudo de novo, sobe e desce e cuidado para não escorregar.

Parece que nas Prainhas é a mesma coisa. Dá um rim para ir e voltar de barco. Ou dá seu jeito de chegar lá no alto do morro e, depois, desce as escadarias pagando promessa.


Mas, lembre-se de acrescentar as bugigangas que se carrega durante todo esse percurso exaustivo: cadeiras, guarda-sol, bolsas térmicas com bebidas e comidas, canga, protetor solar, telefone celular (só para tirar foto, claro, não há sinal nessas praias).

Ninguém conta sobre essa parte. Só nos mostram as fotos luxuosas com sorrisos descansados, leves, quase ricos. Claro, as selfies são tiradas depois que a pessoa consegue se recompor e tomar fôlego.

E assim é a vida. Tudo o que vemos é apenas a ponta do iceberg dos relacionamentos e histórias de sucesso. Vemos o momento de dois minutos, o beijo diante da câmera, o riso, a alegria, o discurso no recebimento do prêmio. Não vemos os perrengues, o cansaço, a espera de duas horas pelo barco, o peso sendo carregado. Não vemos o desânimo do retorno, o engarrafamento, a estrada. Não vemos a vontade de fazer tudo isso novamente, pela diversão, os tombos, os risos, as piadas, os desafios. E talvez ninguém te conte. Talvez, sim.

Todo sacrifício para os quinze minutos de fama. 
Todo sacrifício de novo para contemplar a beleza dos dois minutos.

Talvez seja por isso que a vida de muita gente pareça tão mais sem graça.

Foto: 
http://ecoviagem.uol.com.br/blogs/caminhando-pela-vida/boletins/enseada-do-forno-p-r-e-s-e-n-t-e-i-s-e--10715.asp
Solimar Silva
Enviado por Solimar Silva em 09/02/2016
Alterado em 09/02/2016
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